As prendas do Rei Leão - parte 2
Todos aqueles que gostariam de ter chifres – disse o Leão – cheguem-se para o lado.
– Chifres? – perguntou Kudu aos seus amigos. – Não acham que devíamos ficar bonitos com chifres?
– Sim, sim, sim – gritou o bode, e chegou-se para o lado.
– Aproxima-te – disse o Leão, enquanto lhe colocava os chifres na cabeça. – Mas a cabra, que não quis vir, não receberá nada.
O Elefante viu o bode a exibir-se e atirou-se para a frente com todo o seu peso colossal a fim de se aproximar do Leão.
Eu também quero chifres – disse ele, e escolheu um par de belos chifres brancos com a boca.
– Invejoso – rugiu o Leão. – Por teres sido tão invejoso, os chifres ficaram colados à tua boca e não os poderás ostentar na cabeça, como o Bode.
– Ai, meu Deus – arfou o Elefante. – Agora o meu nariz é demasiado pequeno. Não consigo... Não consigo... Não consigo respirar!
– Toma lá isto! – disse o Leão, e puxou o Elefante pelo nariz até o deixar quase a arrastar pelo chão. – Está melhor assim?
– Obrigado – balbuciou o Elefante, e afastou-se arrastando os pés, com os seus dentes de marfim e o nariz pendente.
Mas ainda faltava fazer uma coisa com a pilha dos chifres, pois o Rinoceronte andava por ali a meter o nariz.
– Muito bem! – disse o Leão. – Uma vez que gostas de meter aí o nariz, vou colar-te os chifres ao nariz.
– Oh, não! Nem pensar! – recusou o Rinoceronte, e virou-se ao Rei, tentando atacá-lo com os chifres colados ao nariz. Mas o Leão fez-lhe uma cara tão ameaçadora que o Rinoceronte perdeu a ponta de um dos chifres e semicerrou os olhos cheio de medo. E é por isso que, ainda hoje, o Rinoceronte vê tão mal e tem uns chifres tão esquisitos.
Depois, dirigindo-se à pilha seguinte, o Leão disse:
Aqui temos umas belas e grandes orelhas!
Como todos sabemos, os animais são como as crianças: não gostam de ter orelhas grandes. Mas o Leão já segurava duas orelhas compridas na mão, e não estava disposto a largá-las, porque era o Rei.
– Toma lá estas! – disse ele, e colocou-as nos dois primeiros animais ao seu alcance. Eram o Macaco e o Coelho. E eles não tiveram alternativa, a não ser agradecer.
– Chifres? – perguntou Kudu aos seus amigos. – Não acham que devíamos ficar bonitos com chifres?
– Sim, sim, sim – gritou o bode, e chegou-se para o lado.
– Aproxima-te – disse o Leão, enquanto lhe colocava os chifres na cabeça. – Mas a cabra, que não quis vir, não receberá nada.
O Elefante viu o bode a exibir-se e atirou-se para a frente com todo o seu peso colossal a fim de se aproximar do Leão.
Eu também quero chifres – disse ele, e escolheu um par de belos chifres brancos com a boca.

– Invejoso – rugiu o Leão. – Por teres sido tão invejoso, os chifres ficaram colados à tua boca e não os poderás ostentar na cabeça, como o Bode.
– Ai, meu Deus – arfou o Elefante. – Agora o meu nariz é demasiado pequeno. Não consigo... Não consigo... Não consigo respirar!
– Toma lá isto! – disse o Leão, e puxou o Elefante pelo nariz até o deixar quase a arrastar pelo chão. – Está melhor assim?
– Obrigado – balbuciou o Elefante, e afastou-se arrastando os pés, com os seus dentes de marfim e o nariz pendente.
Mas ainda faltava fazer uma coisa com a pilha dos chifres, pois o Rinoceronte andava por ali a meter o nariz.
– Muito bem! – disse o Leão. – Uma vez que gostas de meter aí o nariz, vou colar-te os chifres ao nariz.
– Oh, não! Nem pensar! – recusou o Rinoceronte, e virou-se ao Rei, tentando atacá-lo com os chifres colados ao nariz. Mas o Leão fez-lhe uma cara tão ameaçadora que o Rinoceronte perdeu a ponta de um dos chifres e semicerrou os olhos cheio de medo. E é por isso que, ainda hoje, o Rinoceronte vê tão mal e tem uns chifres tão esquisitos.
Depois, dirigindo-se à pilha seguinte, o Leão disse:
Aqui temos umas belas e grandes orelhas!
Como todos sabemos, os animais são como as crianças: não gostam de ter orelhas grandes. Mas o Leão já segurava duas orelhas compridas na mão, e não estava disposto a largá-las, porque era o Rei.
– Toma lá estas! – disse ele, e colocou-as nos dois primeiros animais ao seu alcance. Eram o Macaco e o Coelho. E eles não tiveram alternativa, a não ser agradecer.
(continua...)
Adaptado de As mas belas fábulas
africanas – As histórias infantis preferidas de Nelson Mandela,
Alfaguara, 2012, p: 37-44
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