Quando o Leão se preparava para uma nova ronda algo se mexeu entre as suas patas.
– Eh! – gritou ele, dando um salto no ar, e antes que o culpado pudesse fugir, pôs-lhe as patas em cima.
Era o Lagarto, que lá conseguiu libertar-se das garras do Leão, com a cabeça cheia de nódoas negras de tom azulado.
– Tu é que tens a culpa – disse o Leão. – A partir de agora a tua cabeça ficará azul.
O Leão começou a ficar impaciente, porque o sol já descia no horizonte, e o estômago começava a dar sinal. O leite e o mel não são a comida mais adequada para o Rei dos animais.
E então os animais puderam escolher aquilo de que mais gostavam. O Babuíno escolheu uma cauda que parecia uma foice. O Coelho e a Toupeira escolheram caudas compridas e fininhas, mas cansaram-se delas e foram enterrá-las. E ficaram sem caudas novas.
A Cabra escolheu umas barbas, e antes que a Avó Cabra tivesse tempo de perceber o que se estava a passar, já tinha barbas também. Os animais desataram a rir, mas o Leão apressou-os, e chamou:
– O seguinte! Aproxime-se o seguinte!
O Hipópotamo foi contemplado com quatro dentes gigantescos, e a Serpente ganhou por acaso a cabaça de ervas medicinais que o Leão roubara a um caçador. De um só trago, a Serpente bebeu a mistela, que começou a fermentar, transformando-se em veneno e a única coisa que a Serpente queria era morder.
– Cortem-lhe as pernas! – gritou o Leão. Mas isso não melhorou a situação. A Serpente ficou tão assustada que fugiu a rastejar, e ainda hoje morde tudo o que encontra, e o seu veneno é mais perigoso do que nunca.
A Doninha Fedorenta, por sua vez, ganhou o frasco de perfume da Sra. Leoa, e despejou todo o conteúdo do frasco sobre o corpo. E que cheiro! Os animais taparam os narizes e apanharam tudo o que puderam: chifres, cascos, caudas que abanam, e retiraram-se apressadamente.
– Então e nós? – protestaram a Hiena e o Chacal, que ainda não tinham recebido nada por serem demasiado esquisitos.
Cansado de tanto esforço, o Leão olhou à sua volta, mas já só restavam um lamento e uma gargalhada.
– Podem levar o que quiserem – disse o Leão – e não fiquem nem mais um minuto!
A Hiena e o Chacal tiveram de se contentar com o que sobrava. E é por isso que ainda hoje a Hiena tema gargalhada mais sonora de todos os animais e não há nenhum cujos lamentos superem os do Chacal.
Quando a velha Tartaruga chegou ao local em que os presentes tinham sido distribuídos, já não havia nada à vista – nem animais nem presentes. E é por isso que ainda hoje a Tartaruga se arrasta com a carapaça que o crocodilo fez para ela. E a Rã vive praticamente nua na água, porque sentiu tanto calor enquanto estava à espera, que foi nadar um pouco, e entretanto alguém lhe roubou a roupa. E é por isso que é tão tímida e sente vergonha de aparecer aos outros animais. Sempre que está a apanhar um pouco de sol e ouve alguma coisa a mexer, mergulha imediatamente na água. Mas à noite, quando está bem escuro, ele e as irmãs saem da água e podemos ouvi-las a queixarem-se:
– Onde? Onde? Onde? – queixa-se uma.
– Roupa! Roupa! Roupa! – queixam-se as outras.
– Eh! – gritou ele, dando um salto no ar, e antes que o culpado pudesse fugir, pôs-lhe as patas em cima.
Era o Lagarto, que lá conseguiu libertar-se das garras do Leão, com a cabeça cheia de nódoas negras de tom azulado.
– Tu é que tens a culpa – disse o Leão. – A partir de agora a tua cabeça ficará azul.
O Leão começou a ficar impaciente, porque o sol já descia no horizonte, e o estômago começava a dar sinal. O leite e o mel não são a comida mais adequada para o Rei dos animais.
E então os animais puderam escolher aquilo de que mais gostavam. O Babuíno escolheu uma cauda que parecia uma foice. O Coelho e a Toupeira escolheram caudas compridas e fininhas, mas cansaram-se delas e foram enterrá-las. E ficaram sem caudas novas.
A Cabra escolheu umas barbas, e antes que a Avó Cabra tivesse tempo de perceber o que se estava a passar, já tinha barbas também. Os animais desataram a rir, mas o Leão apressou-os, e chamou:
– O seguinte! Aproxime-se o seguinte!

O Hipópotamo foi contemplado com quatro dentes gigantescos, e a Serpente ganhou por acaso a cabaça de ervas medicinais que o Leão roubara a um caçador. De um só trago, a Serpente bebeu a mistela, que começou a fermentar, transformando-se em veneno e a única coisa que a Serpente queria era morder.
– Cortem-lhe as pernas! – gritou o Leão. Mas isso não melhorou a situação. A Serpente ficou tão assustada que fugiu a rastejar, e ainda hoje morde tudo o que encontra, e o seu veneno é mais perigoso do que nunca.
A Doninha Fedorenta, por sua vez, ganhou o frasco de perfume da Sra. Leoa, e despejou todo o conteúdo do frasco sobre o corpo. E que cheiro! Os animais taparam os narizes e apanharam tudo o que puderam: chifres, cascos, caudas que abanam, e retiraram-se apressadamente.
– Então e nós? – protestaram a Hiena e o Chacal, que ainda não tinham recebido nada por serem demasiado esquisitos.
Cansado de tanto esforço, o Leão olhou à sua volta, mas já só restavam um lamento e uma gargalhada.
– Podem levar o que quiserem – disse o Leão – e não fiquem nem mais um minuto!
A Hiena e o Chacal tiveram de se contentar com o que sobrava. E é por isso que ainda hoje a Hiena tema gargalhada mais sonora de todos os animais e não há nenhum cujos lamentos superem os do Chacal.
Quando a velha Tartaruga chegou ao local em que os presentes tinham sido distribuídos, já não havia nada à vista – nem animais nem presentes. E é por isso que ainda hoje a Tartaruga se arrasta com a carapaça que o crocodilo fez para ela. E a Rã vive praticamente nua na água, porque sentiu tanto calor enquanto estava à espera, que foi nadar um pouco, e entretanto alguém lhe roubou a roupa. E é por isso que é tão tímida e sente vergonha de aparecer aos outros animais. Sempre que está a apanhar um pouco de sol e ouve alguma coisa a mexer, mergulha imediatamente na água. Mas à noite, quando está bem escuro, ele e as irmãs saem da água e podemos ouvi-las a queixarem-se:
– Onde? Onde? Onde? – queixa-se uma.
– Roupa! Roupa! Roupa! – queixam-se as outras.
FIM
Adaptado de As mas belas fábulas africanas – As histórias infantis preferidas de Nelson Mandela, Alfaguara, 2012, p: 37-44

